Sunday, June 18, 2006

teste com texto

Os olhos estavam frios como sempre, mas com um brilho completamente diferente. Como se esperassem entender seus motivos, como se desejassem ler os pensamentos daquele que o olhava com a cara de quem acabara de chegar de um velório.
Íris douradas fixaram-se no movimento de seus lábios, entretanto as orelhas felpudas não captavam nenhum tipo de som. Ou talvez, nunca pensara em ouvir tais ruídos antes.
As sílabas voavam, mas nenhuma delas fazia sentido até que uma frase se fez bem entendida dentro daquele corredor iluminado pela luz bruxuleante de duas ou três velas já bem gastas.
- Estou deixando o bando...
Onde estava o brilho rosado daqueles olhos o qual sempre via quando encontravam o dourado dos seus? Onde estava aquele ser desajeitado, às vezes tímido de sempre? Sem falar no Youkai excitado só por estar frente a frente com aquele a quem mais amava...
Ou pelo menos desejava...
- Motivo?
Por mais que pensasse não havia resposta.
- Acho que vai ser bom pra mim. Vou aprender de uma vez a me virar sozinho. E se eu não conseguir fazer isso... – os olhos de Yomi pareciam ter congelado enquanto fazia uma pequena pausa para escolher palavras – É melhor que eu morra por conta própria e não por um de seus planos.
Kurama sorriu de leve mostrando todo seu escárnio.
- Só isso?
Yomi inflamava por dentro, contudo não perderia sua expressão séria e vazia por causa de um sorrisinho não menos irritante do que vários outros que já recebera.
A Raposa já esperava algumas baboseiras sentimentais ou até mesmo questionamentos idiotas relacionados a seu comportamento desinteressado por causa da partida do Youkai.
- É só.
Por fração de segundos os olhos de Kurama mostraram uma expressão de surpresa antes de voltarem a sua frieza habitual. Mas Yomi não percebeu. Na verdade, não queria perceber nada. Só estava ali para comunicar ao seu “ex-chefe”, sem mais rodeios, que desistira de tudo.
Agora a expressão do Youko era a mesma que a de alguém que tratava com um chato vendedor ambulante que batera a sua porta.
Os dois ficaram parados quietos durante um bom espaço de tempo até que o ser de longos cabelos prateados ficasse entediado quebrando, assim, aquele silêncio mórbido.
- Vai ficar aí parado feito uma estátua, Youkai? – Kurama disse, olhando Yomi pelo canto do olho – Ou estaria esperando que eu me ajoelhe e implore para que fique?
- Simplesmente estou esperando você sair da frente. – disse sem alterar a voz ou a fisionomia – Não posso pegar minhas coisas com você bloqueando a porta.
Palavras duras de engolir. Em outros tempos, se não o conhecesse direito, teria feito aquele bastardo em pedaços pela sua arrogância. No entanto, limitou a encostar-se à parede ao lado da porta dando-lhe passagem. E enquanto Yomi passava pelo portal, sentiu uma mão leve mas firme detendo seu braço esquerdo. Parou. Mas nem ligou para quem o segurava.
- Yomi...
Nem se mexeu.
- Procure não esquecer nada. – casualmente falando – Não quero que tenha nenhum pretexto para voltar aqui.
E assim que foi solto, sua resposta também foi simples e casual.
- Tenho pouca coisa. Se deixar algo neste local, pode ter certeza de que o “objeto” não tem mais nenhuma importância pra mim.
Olhou para Kurama. E este sabia o que seu amante... ou ex-amante queria dizer. Fechou a cara enquanto observava Yomi arrumar suas coisas. Orgulho ferido... sim. Só poderia ser... Não seria mais do que isso. Não haveria outro sentimento ali...
Até o momento, era sempre ele que deixava. Mas nunca, jamais havia sido deixado. Estaria perdendo a beleza que há séculos havia conservado? Ou realmente havia atazanado tanto Yomi que este deixou o ódio sobrepor-se ao desejo? Ele tinha a certeza de que era tudo o que Yomi poderia querer na vida. Certeza que deixou seu sangue correndo pelas veias tão rápido e quente que chegava a corar. Mas corava de raiva. Por que essa doce certeza agora não passava de uma dúvida amarga. Talvez tão cruel quanto ele poderia ser.
Caiu em si. Parado no portal. Estava pensando justamente ali. Olhando o Youkai, forte de cabelos negros como a noite, arrumando sua trouxa. O próprio que em nenhum momento olhou pra trás. Mesmo sabendo que Kurama ainda estava por perto.
Que me importa?!? pensou, Se quiser ir... que vá para o raio-que-o-parta!
Virou-se e saiu.
Mesmo assim, por mais que tentasse não pensar, aquela possibilidade de estar sendo deixado não desgrudava de sua cabeça. Por mais que pudesse ter quem quisesse a seus pés... Como pode ser? Youko Kurama sendo deixado? Improvável. Impossível! Completamente absurdo! Ou será que Yomi estaria falando sério? Até agora a “folha” não havia caído.
Reparou que estava andando sem rumo. E pensando no ‘depois’ de Yomi partir. Como seria? Esse Youkai já estava há anos no bando. Acostumou-se a acordar e reparar no ser ao lado, totalmente acabado depois duma noite de demolir o Makai.
Parou debaixo de uma árvore imensamente frondosa. Chegava a ser exagerada tanto no tamanho quanto na largura do tronco e da copa. Estranhamente linda e mortal para ele. Sorriu inocentemente como se visse aquela beleza pela primeira vez... E aproveitando o momento isolado para agir como desse na telha sem se preocupar com reputação. Parecia mais uma criança maravilhada com as cores do arco-íris. Mas, de repente, transformou-se numa risada baixa e irônica. Como se desse conta de que sua cabeça não ia bem...
Sentou em uma das raízes grossas que insistia em escapar do chão e forçou sua mente até lembrar o que poderia ter acontecido. Estava curioso. O que, de tão grave, faria Yomi comportar-se daquele jeito?... E se não houvesse um bom motivo talvez Yomi não saísse dali com vida...
Pensou e pensou. Até sentir-se completamente incomodado com sua própria preocupação. Aquele miserável finalmente conseguira tirar o seu sossego.
É... talvez Yomi tenha cansado de ser o velho capacho de sempre. Mas o que o intrigava era o fato de ter sido de uma hora para outra. Se fosse gradativamente... talvez não tivesse surpreendido se dessa forma. “Youkai de lua” pensou.
- Yomi, desgraçado.

Friday, June 16, 2006

mais um teste

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teste de espaço...'o0

Thursday, June 15, 2006

teste

oi oi oi oi oi oi oi oi...